Palavras do Pároco

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Peregrinação à Terra Santa...

Dezembro de 2008

      Prezados irmãos e irmãs em Cristo.

      Já chegamos ao fim do ano: melodias natalinas ecoam pelas ruas e também infindáveis propagandas comerciais querem vender produtos e a imagem de que o Natal se resume em Papai Noel, peru, presentes...

      Concordo com muita gente que diz que o Natal é um tempo “mágico” onde todos constatam que algo diferente acontece. É verdade. Algo diferente acontece. Mas nem todos se convencem do mistério do Natal. Mas quem faz acontecer somos nós através da motivação maior que é o aniversário do Nascimento de Jesus Cristo, o Salvador e Redentor da Humanidade.

      Somos nós que durante todo esse ano tentamos conseguir “driblar” doenças, desempregos, impostos, eleições e junto com ela o horário político no rádio e na TV, e agora mais recentemente, temos que tentar dar uma “enganadinha” na crise econômica mundial; tudo para que a gente possa chegar ao fim do ano e sentir uma “cosquinha” no coração e dizer: “Chegou o Natal”... “Feliz Natal”... Boas Festas...

      Estamos vivendo dias realmente assustadores. No mundo todo só se fala dessa crise econômica que trará conseqüências drásticas para todos os países. Ficamos sabendo de muitas coisas verdadeiras e ao mesmo tempo não vemos verdades em muitas coisas. Em muitos momentos nos sentimos “fracos” e “impotentes” perante os acontecimentos. Perguntamo-nos dia após dia: O que vamos fazer? Como vamos passar por essa? Será que a gente escapa? Etc. etc.

      Na verdade, essa crise que estamos vivendo já nasceu há muito tempo; é que agora ela se tornou “maior de idade” e como qualquer “adolescente” que alcança a maioridade, desbrava territórios antes proibidos quase que desordenadamente e com isso as conseqüências afetam diretamente a todos.

      O que eu quero dizer é que o mundo financeiro já esperava algo assim assustador, mas na verdade não acreditava que pudesse acontecer agora, ao menos atualmente. Dou um exemplo: A gente cria um leão dentro de casa. Sabemos que o leão quando crescer pode comer até seus donos, mas mesmo assim a gente o cria com carinho e até damos leitinho na mamadeira e achamos uma gracinha o bichinho com aquela carinha fofinha. Depois que cresce, o leão não se contenta mais com leitinho, ele quer carne e quanto mais fresca melhor. Esquecemo-nos de que o leão tem seu habitat natural e tem que seguir seus instintos naturais para sobreviver. Assim também é o nosso sistema. Nós criamos um “monstro”. Aliás, Hobbs um grande filósofo da atualidade já dizia que o “Capitalismo é um monstro”. O Capitalismo para sobreviver em seu “habitat” natural usa de todos os meios para fazer com que a gente gaste todo nosso dinheiro. Vocês podem até dizer que eu estou exagerando, mas analisem os fatos. Quanto mais nós fazemos o que o sistema capitalista pede, mais amamentamos o “monstro”. Ultimamente tudo é descartável. Temos que usar e jogar fora. Uma geladeira não dura mais que dois anos, não porque ela deixou de gelar, mas porque o modelo saiu de moda. Antes uma geladeira branca era presente em todas as casas, hoje tem que ser metálica, duplex, com água que sai pela porta, etc, etc. Não tem nem problema se não gelar direito, o que importa é que eu estou na moda e tenho uma geladeira (leão) da última marca na minha cozinha. Assim acontece com carros, motos, casas, roupas, sapatos, TVs, etc, etc, etc. Quando aceitamos que uma geladeira na cozinha só enfeita e não damos a ela a utilidade que em si mesma deveria conter, literalmente estamos nos deixando devorar pelo leão que criamos dando leitinho na sua boquinha. Bem, mas vamos ao que interessa.

      O Natal está chegando e todos queremos preparar bem as festas de fim de ano. A melhor receita para prepararmos um Natal cristão é promover o Amor e a concórdia entre nós. É lembrar de verdade do “porquê” que nosso “Deus se fez homem e habitou entre nós”. Certamente não foi pra ver a gente gastando em Shoppings ou alimentando o “leãozinho” do consumismo, do egoísmo, do relativismo, etc,etc,etc.

      A humanidade precisa rezar mais e comprar menos. A humanidade precisa se deixar levar pelo Mistério de um Deus que é Amor e deixar de valorizar superstições e crenças infundadas (Papai Noel e suas renas) que não levam a nada. A humanidade precisa partilhar mais e acumular menos. Se o próprio Deus se esvaziou da sua glória para assumir a condição de escravo na carne humana, quanto mais nós humanos que dependemos inteiramente de Deus, deveríamos nos esvaziar do nosso egoísmo, prepotência, individualismo e das coisas para vivermos autenticamente o verdadeiro sentido do Natal.

      Poderíamos neste ano não comprar peru e nem presentes e o dinheiro que iríamos gastar com essas coisas poderíamos reverter em arroz e feijão, alimentação básica para muitas pessoas carentes. Se não tivermos peru na nossa mesa, mas se ajudarmos a colocar arroz e feijão na mesa do necessitado o Natal vai acontecer de verdade. Sem a troca de presentes o Natal vai acontecer do mesmo jeito, pois o maior presente é o que somos uns para os outros e o que o nosso Deus é para nós.

      Desde já, desejo a todos um Feliz Natal, na humildade e na simplicidade que lhe são próprias do nosso Menino Deus.

      Cada ano que passa tenho notado o quanto o nosso povo aprova e participa das nossas novenas e festas. Eu e toda nossa equipe preparamos e realizamos tudo com muito amor. Primeiramente porque Deus merece coisas bem feitas e porque o nosso povo é acolhedor e partilhante. Por isso os nossos sinceros agradecimentos a todos por terem se empenhado.

      Deus lhes pague.

Côn. Alvarino Bienzobás Júnior. O.Praem.
Pároco.

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